
FORMAO DO NOVO TESTAMENTO

         FATADB - Faculdade Teolgica das Assemblias de Deus no Brasil




INTRODUO

      A designao de Novo Testamento dada  segunda parte da Bblia vem do Latim Novum Testamentum que vem a ser uma traduo do grego H KAINH DIAQHKH, esta expresso
grega era usada geralmente para designar uma "ltima vontade, ou testamento" , como o indica a traduo latina, sendo certo, contudo, que esta traduo no d exaustivamente
todo seu significado. O que significava realmente era uma disposio feita por uma parte que a outra parte podia aceitar ou rejeitar mas nunca alterar; essa disposio,
quando fosse recebida, obrigava pelas suas clusulas as duas partes. Uma vez que o melhor exemplo de tal escritura  um legado, usa-se o latim testamentum que d
em portugus Testamento.      O Novo Testamento,  portanto, o livro onde est registrado o estabelecimento e o carter das novas negociaes de Deus com os homens
por meio de Cristo. Deus pe as condies, que o homem pode aceitar ou rejeitar, mas nunca alterar, e, quando este as aceita, tanto ele como Deus, ficam obrigados 
a cumprir suas exigncias.
      
      CONTEDO
      O contedo do Novo Testamento consiste na revelao deste novo pacto por meio das palavras escritas de Jesus Cristo e dos seus seguidores. Compreende 27 obras 
distintas, de nove autores diferentes, considerando Hebreus como um livro no-paulino. Estes documentos foram escritos num espao de pouco mais de meio sculo, provavelmente 
nos princpios de 45 d.C at cerca do ano 100 d.C. As aluses histricas que nele ocorrem , dizem respeito a todo primeiro sculo e o seu fundo de pensamento cultural 
recua at o sculo quarto ou quinto a .C.
      O contedo do Novo Testamento pode classificar-se de trs maneiras: pelo carter literrio, pelos autores e por perodos.
      Carter Literrio
      Os primeiros cinco livros do Novo Testamento, Mateus, Marcos, Lucas, Joo e Atos, tm um carter histrico. Todos narram uma histria. Os quatro primeiros 
esboam , de diferentes pontos de vista, a vida e obra de Jesus; e o livro de Atos traz a continuao do ministrio terreno de Jesus por meio do Esprito Santo atuando 
na vida de seus seguidores. 
      Os livros que seguem a estes so amplamente doutrinais : Romanos, 1 e 2 Corintios, Glatas, Efsios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus, 
Tiago, 1 e 2 de Pedro, Judas e 1 de Joo. A maior parte deles foi escrita na forma de carta s igrejas, com o propsito de instru-las nos princpios fundamentais 
da f crist e na prtica da moral crist.
      O outro grupo pode ser chamado de Pessoal : 1 e 2 Timteo, Tito, Filemon e 2 e 3 Joo. Estes foram escritos como cartas pessoais a particulares, no a grupos, 
com a inteno de serem usadas como conselhos e instrues privadas. O Apocalipse, o ltimo livro do Novo Testamento, tem o carter proftico. Este trata tanto do 
futuro quanto do presente. Por causa do seu estilo altamente simblico, que envolve vises e revelaes sobrenaturais, tambm  classificado como literatura apocalptica.
      Autores
      Estes livros tambm podem ser agrupados por autores. Todos os seus autores eram judeus, exceto Lucas. Trs: Mateus, Pedro e Joo, faziam parte do grupo dos 
apstolos. Marcos, Judas e Tiago tinham trabalhado na igreja primitiva ou estado em contato com o grupo apostlico, ainda antes da morte de Jesus. Lucas e Paulo, 
se bem que no foram testemunhas oculares do ministrio de Cristo, eram bem conhecidos dos que foram e podiam conferir com estes os seus escritos, caso fosse necessrio. 
Do autor de Hebreus, nada se sabe por evidncia externa, e pelas evidncias internas s podemos abstrair caractersticas abstratas, ou seja , nada que seja capaz 
de apontar um nome.
      Perodos
      Os livros no Novo Testamento no foram escritos na ordem em que aparecem na Bblia. L porque os evangelhos precedem as epstolas paulinas na ordem literria, 
no se podem concluir  necessariamente que so mais velhos. Alm de que, pode haver uma diferena considervel entre a data em que um escrito foi composto e o perodo 
a que diz respeito. Marcos por exemplo descreve os acontecimentos da vida de Jesus que tiveram lugar no fim da terceira dcada do primeiro sculo, mas este evangelho 
no deve ter circulado publicamente antes de 65 ou 70 d.C.
      O primeiro perodo que vamos classificar  o Comeo , que corresponde  vida de Cristo, desde 6 a .C at 29 d.C. Este perodo  descrito pelos 4 evangelhos 
que narram , com diferentes graus de amplitude, os fatos significativos da carreira de Jesus, e que se referem esporadicamente a outros acontecimentos histricos. 
O segundo perodo  o da Expanso , de 29 d.C a 60 d.C , mostra o desenvolvimento da obra missionria. A narrativa de Atos oferece-nos principalmente uma viso da 
misso de Paulo aos gentios, somente com leves relances sobre as atividades de outros pregadores e apstolos. Dentro deste perodo est tambm, a maioria das cartas 
paulinas, que foram escritas durante a empresa missionria de Paulo ( 1 e 2 Corntios, 1 e 2 Tessalonicenses, Efsios e Romanos). Delas podemos apurar um considervel 
nmero de conhecimentos acerca do crescimento da igreja gentia . O terceiro perodo ,de 60 a 100 d.C, pode designar-se Consolidao . Ao princpio deste perodo 
pertence s epstolas pastorais de Paulo e os escritos de Pedro, Lucas, Atos e Mateus que foram provavelmente publicados entre 60 e 70 d.C. Hebreus e Judas precederam, 
provavelmente, 70 d.C. Os escritos joaninos, o Quarto evangelho e as epstolas devem ter aparecido s de 85 d.C a 90 d.C. O apocalipse deve ser colocado no reinado 
de Domiciano, 96 d.C, ou prximo dele.
      
      O CNON DO NOVO TESTAMENTO
      A palavra "cnon" deriva do grego kanon , que significa "cana", portanto, uma vara ou barra, que, por serem utilizadas em medies, passaram a significar metaforicamente 
um padro. Em gramtica, significava uma regra; em cronologia , uma tabela de datas; e em literatura uma lista de obras que podiam ser corretamente atribudas a 
determinado autor.
      Contrariamente ao princpio adotado pela maior parte da literatura, o cnon do Novo Testamento no pode ser unicamente resolvido  base da questo da autoria. 
Os livros que ele contm foram escritos por 9 autores diferentes, nem sequer h motivo especial para que s esses fossem escolhidos. O critrio que torna cannica 
todas estas obras no  necessariamente o de uniformidade de autoria humana.
      Como, ento, veio a se formar o Cnon do Novo Testamento como uma coleo de documentos vrios? Quem coligiu os manuscritos e em que bases? Que circunstncias 
levaram a fixao de uma lista, ou cnon, de livros aceitos como revestidos de autoridade especfica?
      A posio crist histrica  de que o esprito Santo, que presidiu  formao de cada um dos livros, tambm lhes dirigiu a seleo e incorporao, continuando 
assim a dar cumprimento  promessa do Senhor de que ele guiaria os discpulos em toda verdade. Mas isto  o que se discerne espiritualmente, no mediante a pesquisa 
histrica, no sendo aceita como resposta a nvel de pesquisa crtica. Dir-nos-o outros, que  merc da autoridade da igreja que recebemos os vinte e sete livros 
do Novo testamento, mas ainda no explica a o porqu da igreja reconhecer esses 27 e s esses como obras de inspirao divina, equiparando-se em autoridade ao cnon 
do Velho Testamento?
      No  exato dizer que jamais houve qualquer dvida na igreja de nenhum dos livros que constituem o cnon no-testamentrio. Certas das epstolas menores (II 
de Pedro, I e II Joo, Tiago e Judas) e o apocalipse levaram mais tempo a serem aceitos em determinadas partes que em outras, enquanto que em outros lugares eram 
admitidos como cannicos livros que no fazem parte do atual cnon No-testamentrio (Pastor de Hermas, Epstola de Barnab, I e II Epstola de Clemente e outros).
      O primeiro passo no sentido de formao de um cnon de livros cristos parece ter sido tomado por volta do comeo do segundo sculo, poca em que h evidncia 
da circulao de duas colees de escritos cristos da igreja. O primeiro destes foi Marcin que apareceu em cerca de 140 d.C . Marcin nasceu em Sinope, no Ponto, 
onde seu pai era bispo. Era to hostil aos judeus que renunciou todo o Antigo Testamento, e procurou estabelecer um cnon ausente de influncias judaicas. Como seu 
evangelho escolheu Lucas, excluindo os dois primeiros captulos rejeitando a narrativa do nascimento virginal, servia-se de dez epstolas de Paulo, excluindo as 
pastorais e Hebreus. A segunda lista foi o cnon Muratoriano, nome este que deriva do historiador e bibliotecrio italiano que primeiro o encontrou. Seu contedo 
pertence ao ltimo tero do segundo sculo, cerca de 170 d.C. Contm os 4 evangelhos, Atos, as epstolas de Paulo, Judas , 2 e 3 Joo e Apocalipse. Por causa destas 
confuses fez-se necessrio s igrejas ortodoxas saber com exatido qual o verdadeiro cnon e isso ajudou a acelerar um processo que j se achava em curso. Os grandes 
pais da igreja se preocuparam em divulgar uma lista completa de livros que julgavam ser de inspirao divina a ponto de se igualarem em grau de autoridade ao Velho 
Testamento, que j era tido como material normativo para as igrejas. Tertuliano de Crtago citou todos os livros do Novo Testamento, exceto Filemom, Tiago, 2 e 3 
Joo. Orgenes , contemporneo de Tertuliano (185 a 250 d.C), dividia os livros sagrados em duas partes: homolegoumena, que eram indubitavelmente autnticos e aceitos 
por todas as igrejas que so: os evangelhos, treze epstolas de Paulo, 1 de Pedro, 1 de Joo, Atos e Apocalipse; e os antilegoumena, que eram disputados e no aceitos 
por todas as igrejas, que eram: Hebreus, 2 de Pedro, 2 e 3 Joo, Tiago e Judas.  No perodo Nicnico (265 a 340 d.C) Eusbio de Cesaria segui as pisadas dos anteriores 
e colocou na categoria dos livros aceitos os evangelhos, catorze epstolas de Paulo, 1 de Pedro, Atos, 1 de Joo e apocalipse. Entre os livros disputados encontravam-se 
Tiago, Judas, 2 de Pedro, 2 e 3 de Joo. Rejeitou redondamente os Atos de Paulo, Pastor de Hermas, apocalipse de Pedro, sendo o primeiro a estabelecer uma linha 
ntida de separao entre livros cannicos e apcrifos.
      Tais listas, porm , no eram oficiais, e nem sempre representavam mais do que preferncias ou opinies particulares. Algumas vezes refletiam prtica geral, 
mas, no raro, representavam o cnon de uma localidade, de uma igreja ou de um homem. Por isso tornou-se necessrio a firmao de critrios gerais para estabelecer 
as obras que deveriam configurar autoridade normativa para as igrejas. Dentre os critrios fundamentais deste processo se destacam trs:
      Originalidade
      Este critrio estava baseado em 1 Joo 1.1-3, ou seja, a dependncia de relatos de testemunhas oculares. Por isso a igreja adotou o critrio de originalidade 
, e com isso queria dizer autoria apostlica, ou discpulos destes, como Paulo e Lucas. Entretanto, a simples indicao do autor no era suficiente. Muitos escritos 
que indicaram um apstolo como autor foram rejeitados. 
      Ortodoxia
      Os primeiros sculos da igreja crist foram marcados pela batalha a favor da verdade das afirmaes teolgicas. As igrejas ameaadas pelos ensinos falsos necessitavam 
de uma regra de f que mostrasse concordncia , por meio do qual pudesse diferenciar o "falso" do "verdadeiro" .
      Reconhecimento Geral
      Por ltimo, s se impuseram os escritos que durante os primeiros sculos tiveram aceitao geral das igrejas. Na formao do cnon, o que importava no era 
a imposio de alguns grupos . O cnon do Novo Testamento deveria servir de fundamento para todo o cristianismo. A considerao pelas dvidas e objees fez com 
que se tornasse um processo longo de formao da opinio geral e foi marcado por muita pacincia e respeito pelas opinies uns dos outros.  Este processo deu-se 
atravs de Conclios. O primeiro em Laodicia (363), depois em Crtago (397) e em Hippo (419) , declararam os atuais 27 livros como autoridade final da liturgia 
e questes doutrinrias para a igreja.  As controvrsias continuaram por conta de alguns livros como Filemon, Tiago, 2 de Pedro, 2 e 3 Joo e Judas, estes no por 
serem considerados esprios mas por serem epstolas to curtas que raramente eram citadas, e alm disso, tinham sido dirigidas a indivduos cuja localizao era 
obscura. O Cnon s foi aceito, tal qual  hoje , sem arbitrariedades no sculo X.
           
      O EVANGELHO E OS EVANGELHOS
      O termo grego euagglion , que se traduz por "evangelho" , provm do grego profano. Significava, por exemplo, em Homero e Plutarco, a recompensa dada ao mensageiro 
por sua mensagem; ou, no plural, as ofertas de aes de graa aos deuses por uma boa nova. Por extenso veio a designar, em Aristfano, por exemplo, a mensagem propriamente 
dita, e depois,  o contedo da mensagem. A traduo grega do Antigo Testamento tambm emprega esta palavra para assinalar mensagens felizes. Entre os cristos primitivos, 
o euagglion  primeiramente a boa  nova  da salvao realizada em Jesus Cristo, tal qual  anunciada oralmente pelos apstolos. Somente mais tarde, o termo se aplica 
 forma escrita desta boa nova apostlica. Enfim chega a designar (150 d.C) aqueles escritos do Novo Testamento que contam mais precisamente a vida terrestre de 
Jesus Cristo. Os evangelhos formam um gnero literrio  aparte que no se assemelha em nada aos gneros conhecidos na literatura profana. Seu aspecto biogrfico 
no devem esconder o querem ser antes de tudo: testemunho da comunidade dado por Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador dos homens. A igreja crist recebeu estes 
4 evangelhos lado a lado, mas lhes deu ttulos que assinalam  bem de que se tratam de 4 testemunhos sobre um mesmo acontecimento e uma mesma pessoa, de uma s boa 
nova, entendida de modo diferente e complementar , de um nico evangelho tetramorfo: segundo Mateus, segundo Marcos, Segundo Lucas, segundo Joo.
      
      
      
      O PROBLEMA DOS SINPTICOS
      Mas esta pluralidade levanta igualmente um problema literrio. Os trs primeiros evangelhos apresentam uma certa unidade em relao ao quarto, Joo. Tudo se 
passa dentro de um mesmo plano cronolgico e geogrfico:  o ministrio de Jesus se estende por um ano, comea na Galilia e termina na Judia, pela Paixo. Joo, 
ao contrrio, estende este ministrio por dois ou trs anos e o localiza em geral na Judia e, episodicamente, na Galilia. O plano dos 3 primeiros evangelhos,  
to semelhante que se pode copi-los sobre trs colunas e fazer uma leitura paralela de um s golpe de vista: de onde seu nome de evangelhos "sinpticos" se deriva. 
Este termo usado pela primeira vez no sc. XVIII , por Griesbach, deriva do grego synoro que significa: ver junto, ver sob o mesmo ngulo.
      Os Sinpticos se assemelham, podera-mos dizer, porque se tratar da mesma matria; mas esta explicao no  suficiente, pois devia, ento, valer para o quarto 
evangelho, o que, porm, no  o caso. Cada evangelista tinha  sua disposio somente narraes e palavras isoladas de Jesus que foram transmitidas pela tradio 
oral; ele podia, portanto, estabelecer o plano que queria. Se apesar disto existe, a grosso modo, uma plano idntico,  preciso admitir, por conseguinte, uma dependncia 
mtua destes trs textos. Por outro lado, os sinpticos tambm apresentam divergncias. Certos episdios se encontram em apenas dois evangelhos e outros num s. 
Alm disso, as divergncias de detalhes pululam mesmo dentro dos textos paralelos. Foram propostas ,ento, diversas solues para resolver este problema literrio. 
Trata-se essencialmente de hipteses que no resolvem todo o problema. Numeramos as principais, das quais a ltima, a chamada "hiptese das duas fontes" ,  hoje 
ainda geralmente a mais aceita.
      1.  Hiptese da Utilizao Recproca  Esta hiptese diz o seguinte: os trs sinpticos utilizaram-se reciprocamente e , fazendo-o assim, introduziram modificaes. 
O primeiro evangelho escrito seria Mateus, Marcos teria resumido Mateus, e Lucas se teria servido de um e de outro. Dali provm a ordem tradicional dos evangelhos 
Mateus, Marcos Lucas.
      2.  Hiptese do Evangelho Primitiva Segundo esta hiptese, os trs sinpticos remontariam a uma fonte comum de origem aramaica, que no possumos mais, e cada 
um dos trs redatores teria usado esta fonte  sua maneira.
      3. Hiptese das Diegeses (Hiptese dos Fragmentos) Esta hiptese atribui aos evangelhos uma pr-histria escrita. Primeiramente teriam sido compostos pequenos 
pedaos, "diegeses": narraes da paixo, relatos de milagres, colees das palavras de Jesus. Cada um dos evangelistas teria combinado, mais tarde,  sua maneira 
estes diversos elementos.
      4.  Hiptese das duas Fontes  esta hiptese,  na verdade, uma combinao da hiptese de utilizao recproca e da do evangelho primitivo perdido.: Mateus 
e Lucas teriam utilizado , independentemente, a Marcos, que seria portanto, o mais antigo dos trs, e uma fonte comum(Quelle) hoje perdida. Esta fonte teria contido 
antes de tudo palavras de Jesus (logia).
      Mas  preciso sobre tudo levar em considerao o fato de que os evangelhos sinpticos so, em larga escala, apenas os porta-vozes da comunidade crist primitiva 
que fixou a tradio oral. Durante trinta ou quarenta anos, o evangelho existiu quase exclusivamente em forma oral; a tradio oral transmitiu sobretudo palavras 
e narraes isoladas. Os evangelistas teceram laos, cada qual ao seu modo, cada um com sua prpria personalidade e suas preocupaes teolgicas particulares, entre 
as narraes e as palavras que receberam da tradio do ambiente.

      O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS  
      AUTORIA
      O evangelho no faz meno alguma de seu autor. O nome de Mateus  citado no ttulo do evangelho, que surgiu no sculo II e a partir de l foi incorporado 
 tradio. A atribuio deste evangelho a Mateus remonta, portanto,  tradio da igreja antiga, se baseando seguintes argumentos internos do livro: A habilidade 
de organizao exibida pelo autor concorda com a mentalidade provvel d3 um cobrador de impostos, como fora o apstolo Mateus. Concorda com isso tambm que ele  
o nico a registrar o episdio do pagamento da taxa do templo feita por Jesus (17.24-27). A narrativa do chamamento de Mateus ao discipulado usa o nome apostlico, 
"Mateus", ao invs do nome Levi, utilizado por Marcos e Lucas, e omite o pronome possessivo "dele", usado em conjunto com o termo "casa" , de que se valeram Marcos 
e Lucas, ao descrevem o lugar em que Mateus entreteve Jesus em uma refeio (9.9-13). Esses detalhes incidentais bem poderiam constituir indicaes notveis de que 
Mateus  o autor deste primeiro evangelho, em apoio s tradies da igreja primitiva.
      
      DATA DA ESCRITA
      Se Mateus se valeu do evangelho de Marcos, e este  do perodo de 45-70 d.C, ento Mateus pertence a data levemente posterior, dentro daquele mesmo perodo. 
E se Mateus escreveu com o fito de evangelizar os Judeus, parece menos provvel que ele tenha escrito depois de 70 d.C, quando se alargou mais ainda a brecha entre 
a igreja e a sinagoga, do que antes de 70 d.C, quando as possibilidade de converso dos judeus eram mais provveis.
      
      LUGAR DE ESCRITA
      A natureza judaica do primeiro evangelho sugere que o mesmo foi escrito na Palestina ou na Sria, particularmente em Antioquia, para onde havia imigrado muitos 
dos originais discpulos habitantes da Palestina (Atos 11.19,27). A notvel preocupao pelos gentios talvez faa o prato da balana inclinar-se em favor de Antioquia, 
a cidade onde estava a igreja local que enviou a Paulo em sua misso aos gentios. Em harmonia com isto temos que considerar o fato de que o testemunho mais antigo 
da existncia desta epstola vem Incio Bispo de Antioquia.
      
      NFASE
      O evangelho de Mateus foi escrito para mostrar como Jesus de Nazar alargou e explanou a revelao que tinha sido comeada com as profecias messinicas do 
Antigo Testamento. Posto que seria fortemente judaico em carter, foi escrito tambm para benefcio dos gentios uma vez que fizessem discpulos "de todas as naes" 
(28.19). Se originalmente composto para benefcio da igreja de Antioquia, onde os convertidos gentios se juntaram em grande nmero pela primeira vez, a razo para 
suas caractersticas  fcil de entender. Mateus estava a esforar-se por mostrar a esses convertidos o significado do ministrio de Jesus em termo do Antigo Testamento 
em que seus colegas judaicos acreditavam e por meio dos quais eles prprios tinham sido ensinados. O seu relevo est em ser um evangelho didtico. Contm o maior 
bloco simples de ensinos encontrados nos evangelhos(cap. 5,6,7), e h neles outras passagens longas que reproduzem o ensino de Jesus( cap. 10,13,18,23,24,25). Estes 
ensinos abrangem cerca de trs quintos de todo o evangelho de Mateus.  evidente que Mateus procurou enfatizar o contedo do ensino de Jesus em relao com sua prpria 
pessoa e com a lei, a fim de que pudessem ficar claras as suas implicaes da vinda do Messias.

      
              O EVANGELHO SEGUNDO MARCOS  
      
       AUTORIA
      A tradio indica o autor deste evangelho com Joo Marcos, membro de uma famlia crist em Jerusalm, o ajudante e substituto de Paulo, talvez de Pedro, e 
primo de Barnab. Vrios argumentos levaram a igreja primitiva a esta concluso: 1. Marcos foi criado na atmosfera religiosa do judasmo; 2. Pode ter sido testemunha 
ocular de alguns fatos narrados no evangelho que tem o seu nome (podendo ser o jovem que fugiu nu na ocasio da priso de Cristo, 14.51,52); 3. Foi cooperador ntimo 
dos dirigentes apostlicos da igreja primitiva e deve ter se familiarizado completamente com sua pregao a respeito de Jesus e com as "boas novas" que eles pregavam; 
4. Ele mesmo participou da pregao e testemunhou o comeo da misso gentlica.  Um outro aspecto interessante emerge de uma comparao do discurso de Pedro em At. 
10.34-43 com Este evangelho. A tradio afirma que Marcos foi ajudante de Pedro durante algum tempo, e h uma certa confirmao disto em 2 Pedro 5.13.  digno de 
nota que o sermo de Atos siga to intimamente o esboo do contedo de Marcos. Ele ento teria registrado o discurso de Pedro em seu evangelho.
      
      DATA DA ESCRITA
      A data deste evangelho dificilmente teria sido mais tarde do que 70. d.C., e pode ter sido consideravelmente mais cedo. A ntima concordncia de Mateus e com 
Lucas nos leva a pensar que estes evangelhos se utilizaram de Marcos  como fonte de informao e que portanto faria com que Marcos fosse de composio anterior a 
estes dois. Baseando-se na hiptese dos pais da igreja de Marcos compilou seu evangelho aps a morte do apstolo Pedro, e considerando que a data fixada para a morte 
deste  de 64 d.C, podemos presumir a finalizao deste evangelho em torno de 65 a 68 d.C .
      
      LOCAL DA ESCRITA
      O evangelho de Marcos  conciso, claro e direto, estilo este que agradaria  mentalidade romana, que no gostava de abstraes e fantasia literria. H muitos 
latinismo em Marcos como modius para "alqueire", census para "tributo", speculator  para "executor" , centurio  para "centurio". Para a maior parte destes termos 
havia equivalentes gregos. Parece que Marcos usou termos latinos por serem mais comuns e familiares. Este evangelho insiste pouco na lei e nos costumes, e quando 
os cita, explicita-os mais completamente do que em outros sinpticos. A evidncia interna do evangelho adapta-se admiravelmente bem  tradio externa que diz ter 
sido Roma seu lugar de publicao.
      
      NFASE
      Das setenta parbolas ou alocues parablicas dos evangelhos, Marcos s tem dezoito. Para seu tamanho, no entanto, Marcos concede mais espao aos milagres 
do que do que qualquer dos outros evangelhos. Marcos estava  mais interessado em fatos do que em teorias. Alm disso, Marcos  um evangelho de reaes pessoais, 
atravs de todas as suas pginas esto registradas as respostas dos auditrios de Jesus. Ficavam "admirados" (1.27), criticavam (2.7), medrosos (4.41), perplexos 
(6.14), espantados (7.37), amargamente hostis (14.1), e outros. Alm destas notas incidentais esto registradas muitas entrevistas de Jesus e anotados at os seus 
gestos (3.5; 5.41; 7.33; 8.23; 9.27; 10.16). Todas estas pinceladas fazem de Marcos o evangelho da vivacidade. Ocorrem tambm frases vvidas: "imediatamente" (1.12); 
"e feita uma abertura" (2.4); "e as ondas batiam na barca" (4.37); "e ento mandou os discpulos"(6.39). O propsito deste evangelho parece ser acima de tudo evangelstico, 
visto que suas descries breves, as suas frases agudas, as suas aplicaes diretas da verdade, seria exatamente aquilo que um pregador de rua usaria ao pregar Cristo 
a uma multido promscua.
      
      
      O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS  
        
       AUTORIA
      A identidade do autor depende da relao do terceiro evangelho com o livro de Atos. Se Lucas e Atos foram escritos pela mesma pessoa, poder se aplicar a Lucas 
uma evidncia tal a respeito do autor, que pode ser interna para Atos, e vice-versa. Em Atos o autor participou, indubitavelmente, em muitos dos acontecimentos que 
descreve, porque usa frequentemente o pronome "ns". As sees ns so um guia til para determinar os interesses, o carter e a possvel identidade do autor.  
ntima a relao de Lucas com Atos. Os dois documentos so dirigidos a mesma pessoa, Tefilo. A introduo de Atos ajusta-se perfeitamente ao contedo de Lucas quando 
fala do "primeiro tratado". De acordo com isto o autor de Lucas-Atos pode ter sido um gentio de Antioquia, a convertido, no mais quinze anos aps o pentecostes. 
O autor tinha alta capacidade literria e era detentor de uma boa preparao intelectual. A sua linguagem era de uma mentalidade grega definida. Uma comparao de 
Marcos 5.25,26 com Lucas 8.43, mostra que ele tinha tido interesse num ponto de vista mdico, o que confirmaria o ttulo dado  Lucas, em Col. 4.14; "Lucas o mdico 
amado".
      
      DATA DA ESCRITA
      O evangelho ,  claro, foi escrito depois da vida de Jesus e o seu prlogo mostra que muitos outros tinham tentado escrever um evangelho. Talvez sirva como 
data mdia os anos 60 a 70 d.C, por que nessa altura j Lucas deve ter tido uma vida crist de 10 ou mais anos, e devia ter viajado na Palestina, onde podia ter 
se encontrado com muitos daqueles que tinham conhecido Jesus em pessoa.
      
      LOCAL DE ESCRITA
      Nenhuma indicao  dada neste evangelho a respeito do lugar em que foi escrito. O lugar deve situar-se fora da Palestina, embora tambm sirva Cesaria. A 
maior parte das opinies, como a de Roma, Cesaria, Acaia, sia Menor e a de Alexandria, no passam de meras conjecturas. Tudo que se pode saber  que foi escrito 
em algum lugar do mundo helenstico por um homem que trabalhava com os gentios.
      
      NFASE
      O evangelho de Lucas  predominantemente histrico. Nenhum outro escritor apresenta datas para suas narrativas como faz Lucas em 1.5; 2.1 e 3.1,2. Nenhum outro 
tenta to completo esboo da carreira de Cristo, desde o nascimento at a morte, embora muitos perodos da sua vida no sejam descritos em pormenor. No h provincialismo. 
Lucas  imparcial no melhor sentido do termo. No  preconceituoso, pois destaca em muito das suas narrativas a cooperao das mulheres no ministrio de Jesus. Sua 
obra no  uma inspida crnica de acontecimentos, mas sim uma interpretao vvida, escrita num todo completo, por inspirao do Esprito Santo. Para Lucas este 
evangelho fala de um Cristo para quem no h nem judeu, nem brbaro, nem homem, nem mulher, nem escrevo, nem livre. 
      
      O EVANGELHO SEGUNDO JOO
      
      AUTORIA
      Do prprio evangelho se pode deduzir alguns fatos a respeito do seu autor. Primeiro, era um judeu acostumado a pensar em aramaico, embora o evangelho tivesse 
sido escrito em grego. Muito poucas clusulas subordinadas aparecem no seu texto e so frequentemente as palavras hebraicas ou aramaicas nele insertas e explicadas 
a seguir. O autor estava familiarizado com a tradio judaica. Em 1.19-28 refere a expectativa judaica da vinda do Messias, conhecia os sentimentos judaicos para 
com os samaritanos (4.9), e a sua atitude exclusivista do culto (4.20). Estava relacionado com as festas judaicas, que explicou cuidadosamente aos leitores. Ainda 
era testemunha ocular dos acontecimentos que descreveu. Tanto em 1.14, 'Vimos a sua glria" , como em 19.35, onde falou a terceira pessoa, "aquele que isto viu, 
deu testemunho" afirma dizer aquilo que tinha sido parte de sua experincia pessoal. Pequenas pinceladas espalhadas por todo o evangelho confirmam esta impresso. 
A hora em que Jesus sentou no parapeito do poo (4.6), e o nmero e o tamanho das talhas da bodas de Can (2.6), o peso e o perfume que Maria derramou sobre os ps 
de Jesus (12.3,5), os pormenores do julgamento de Jesus (caps. 18,19).  Tudo leva a crer que o autor deste evangelho pertencia ao grupo dos doze, e alm dos doze 
algum muito prximo, ou ntimo que certamente pertencia ao grupo dos trs discpulos mais chegado. Segundo o ltimo captulo deve ser identificado com o "discpulo 
amado"  que era ntimo colaborador de Pedro e que tinha estado muito perto de Jesus na ltima ceia(13.23), no julgamento(18.15,16), e na cruz (19.26,27). Embora 
o autor no tenha dito o seu nome, tomou por certo que seus leitores sabiam quem era o autor e que aceitariam sua autoridade nos assuntos em que escreveu. Joo ,Filho 
de Zebedeu,  a melhor possibilidade que se ressalta.
      
      DATA DA ESCRITA
      A data do quarto evangelho tem sido variavelmente assinalada entre 40 d.C e 140 d.C. No podendo ser mais tardia do que o Diatessaro de Taciano, em que foi 
incorporado nos meados do segundo sculo. Mas boa parte dos intrpretes da metade do nosso sculo esto bastante unidos em torno da posio de que o 4o evangelho 
tenha sido escrito em torno dos anos 90 a 100. Mas existe um pormenor que o intrprete J. A . T. Robinson faz questo de destacar a fim de fundamentar sua datao 
mais remota. Segundo ele no cap. 5.2 o tanque de Betesda "tem" cinco pavilhes. Ele diz "tem" e no "tinha" , em outras palavras os pavilhes ainda esto de p quando 
ele escreve. Isto leva a crer que Jerusalm ainda no havia sido destruda. Com base nestas observao Robinson data este evangelho nos anos 50 na sua composio 
bsica. Na metade dos anos 60 teria recebido a sua forma definitiva.
      
      LOCAL DA ESCRITA
      A melhor soluo  a que sustenta que Joo tenha sido escrito na sia Menor, possivelmente em feso, pelos fins do primeiro sculo, quando a igreja tinha atingido 
certa medida de maturidade, e quando havia necessidade de avanar no ensino do que dizia a respeito da natureza da f. Parece ter sido escrito num ambiente gentlico, 
pois as festas e costumes judeus so explicados em benefcio daqueles que no estavam familiarizados com elas (2.13; 4.9; 19.31).
      
      NFASE
      O evangelho de Joo pe em relevo a divindade de Jesus Cristo, filho de Deus. Posto que nenhum outro evangelho trate mais claro sobre sua humanidade, no h 
outro que afirme to diretamente as prerrogativas de sua divindade:  "O Verbo era Deus" , "Eu e o Pai somo um", "Quem me v a mim, v meu Pai", "Antes que Abrao 
fosse feito, Eu sou" .  A humanidade de Jesus tambm  salientada. Ele estava cansado (4.6), sequioso (4.7), impaciente (6.26), triste (11.35), perturbado (12.27), 
cheio de amor (13.1). Para os seus contemporneos que se encontravam com ele casualmente, ele era "o homem chamado Jesus" (9.11); para os que viviam com ele, tornou-se 
"o Santo de Deus" (6.69).
      
      O LIVRO DE ATOS
      
      AUTORIA
      As mesmas informaes averiguadas para o autor de Lucas serve para o autor de Atos visto que estes livros so dois tomos de uma mesma obra. Visto que o autor 
de Lucas s pode ser determinado pelo livro de Atos, suas evidncias so recprocas.

      DATA DA ESCRITA
      Chama a nossa ateno que Atos no se refere sobre trs eventos que tinham importncia especial para o cristianismo primitivo: a morte de Tiago, irmo de Jesus 
(62), a perseguio sob Nero(64) e a destruio de Jerusalm(70). Isso nos leva a concluso que o livro foi escrito antes desses acontecimentos. Alm disto temos 
os seguintes fatores: o autor mostra interesse especial pela apresentao do cristianismo primitivo, cuja teologia ele descreve; Jesus  apresentado como Messias, 
o servo de Deus, o Filho do Homem; o domingo ainda  chamado de primeiro dia da semana, entre a igreja primitiva e o estado ainda no h conflitos significativos; 
no h referncia a coletnea das cartas de Paulo - aparentemente ainda no existia. Tudo isso leva a concluso de que o livro foi escrito antes de 64 d.C. Contra 
essa posio coloca-se o fato de que este  o segundo livro de Lucas, que foi escrito depois do evangelho. Se este  datado aps 70, ento Atos teria sido escrito 
nos finais dos anos 70.
      
      LOCAL DA ESCRITA
      Quanto ao lugar onde o autor o escreveu, no  possvel determin-lo. Se nos atermos a tradicional interpretao do "ns" , poderamos pensar em Roma, mas 
tambm feso, Antioquia ou alguma comunidade paulina da Macednia, Acaia ou sia Menor so propostas.
      
      NFASE
      
        Atos  uma histria seletiva e no compreensiva da expanso da igreja primitiva, pois no se preocupa em determinar pormenorizadamente toda sua extenso 
como pregao do evangelho. Mas seu objetivo principal  descrever sobre o sucesso do evangelho por onde quer que os cristos o proclamassem. Por detrs desse sucesso 
havia a atuao do Esprito Santo, a quem Lucas repetidamente d o crdito. O propsito geral de Lucas, pois,  fazer a exposio dos primrdios do cristianismo, 
na vida de Jesus e na extenso do cristianismo, dentro da histria da igreja primitiva, a fim de convencer os seus leitores do avano irresistvel do evangelho, 
mostrando que Deus, mediante o seu Esprito, verdadeiramente est operando na histria da humanidade, visando a redeno de todos os homens.      
      
      A EPSTOLA COMO FORMA LITERRIA
      
      Dos escritos do NT vinte e um tem a forma d e epstola. Mas nem todos so realmente cartas, ou seja, escritos endereados em ocasies especficas a pessoas 
determinadas ou a crculo de pessoas, escritas com a finalidade de comunicao ntima, sem inteno de maior divulgao. Em Tiago, por ex., falta tudo o que constitui 
uma carta. Com relao a epstola de Hebreus, as opinies variam largamente, no se sabendo ao certo se deve ser considerada como uma verdadeira carta ou um ensaio 
artisticamente elaborado e dirigido a um pblico mais vasto, empregando a forma epistolar apenas como forma externa. Das epstolas gerais s  2 e 3 Joo so realmente 
cartas, com endereos exatos e especficos.
      O esquema segundo o qual so redigidos as epstolas  o seguinte: logo no comeo uma frmula de saudao, com o nome do remetente e do destinatrio; segue-se 
uma orao de ao de graas a Deus; seguida de frmula introdutria; na concluso, mensagens de saudaes e votos de felicidades em nome de algum, em substituio 
a nossa assinatura atual. Este esquema  ,em linhas gerais, aquele usualmente usado nas cartas helensticas daquela poca, das quais  os papiros encontrados nas 
dcadas recentes fornecem abundante material ilustrativo. Contudo, Paulo, nas frmulas com se dirige as pessoas, aproxima-se mais da maneira oriental e judaica ao 
passo que Tiago segue o uso helenstico neste particular.
      
      GRANDES EPSTOLAS
      
      PRIMEIRA EPSTOLA AOS TESSALONICENSES  
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      
      1 Ts oferece afirmaes que pressupem a situao que induziu Paulo a enviar Timteo de Atenas para Tessalnica (3.1), a fim de tomar algum conhecimento sobre 
o estado da comunidade. Como, segundo 1.1 e 3.6, Timteo e Silas se achavam com Paulo, e Timteo trouxe notcias de Tessalnica, e como, alm disso, Atenas  mencionada 
em 3.1 dando a impresso de que Paulo no estivesse mais l, a hiptese predominante  a de que 1 Ts tenha sido escrita em Corinto, para onde Paulo se dirigira ao 
deixar Atenas, e onde, conforme Atos 18.5, Timteo e Silas novamente se encontraram com Paulo. Uma vez que seria necessrio reservar algum tempo para Timteo viajar 
de Atenas para Tessalnica e depois voltar a Corinto, e para transmitir as notcias sobre o estado da f dos tessalonicenses na Macednia e Acaia (1.8s). a Primeira 
Epstola aos Tessalonicenses deve ter sido escrita por volta do ano 50. 1 Ts , portanto, a mais antiga epstola de Paulo at hoje sobrevivente.
      
      SEGUNDA EPSTOLA AOS TESSALONICENSES
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      2 Ts possui um ponto de controvrsia dentro do corpo epistolar Paulino, pois como podemos explicar que Paulo tenha escrito uma carta com contedo to parecido 
a uma mesma comunidade em um perodo curto de tempo? Fizeram-se tentativas para explicar tal fato de vrias maneiras, uma delas  a de que Paulo tenha escrito esta 
carta a uma minoria judaica-crist em Tessalnica, ou a um grupo especial dentro da igreja, ou  comunidade de Beria ou de Filipos. Todas estas hipteses, porm, 
so controvertidas pelo fato de que, no caso, o endereo original deveria ser mudado, e de que, segundo 2 Ts 2.15, Paulo j havia escrito uma epstola a mesma comunidade.
      2 Ts seria mais compreensvel se o prprio Paulo a houvesse escrito algumas semanas depois de ter escrito 1 Ts , quando esta primeira carta ainda se encontrava 
bem ntida em sua mente.
      Paulo recebeu novas informaes de Tassalnica (3.11).Apesar da perseguio e das tribulaes, a comunidade no vacilara (1.4), e embora supostas revelaes 
tenham sido apresentadas ali por um falso mestre que apelava para afirmaes orais de Paulo, tomando-as como apoio para seu ponto de vista pessoal de que o dia do 
Senhor j chegara (2.2).Este fanatismo apocalptico levou os tessalonicenses a evitarem o trabalho necessrio ao "ganha-po" (3.11), a tal ponto que Paulo se v 
obrigado a recomendar certas medidas de disciplinas da igreja contra este tipo de fanatismo.
      Se 2 Ts tivesse sido escrita no muito tempo depois de 1 Ts, ento poder-se-ia deduzir que o lugar provvel de sua redao fosse Corinto e a poca provvel 
os anos de 50/51.
      
      PRIMEIRA EPSTOLA AOS CORNTIOS
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Algum tempo antes da redao de 1Cor, Paulo havia enviado Timteo a Corinto, atravs da Macednia (4.17;a6.10; At 19.22). Ele pensou que iria chegar l depois 
de uma carta enviada por um caminho direto (esta carta perdida seria a primeira?). Enquanto isso, os portadores da mensagem de Corinto vieram ao encontro de Paulo, 
o que talvez, lhes tenha entregado 1Cor , onde ele respondia s perguntas feitas pela comunidade e falava tambm a respeito de coisas que ouvira atravs de outros 
meios. A epstola foi escrita em feso (16.8). O Sstenes mencionado no ttulo talvez seja o principal responsvel pela sinagoga de Corinto (At 18.17).
      Paulo envia saudaes s igrejas da sia (16.19), o que evidencia que ele deve ter trabalhado nesta provncia durante um perodo bastante longo. J fazia algum 
tempo que ele deixara Corinto (4.18), mas agora estava pensando numa nova visita, se possvel durante todo o inverno (16.6). Ele escrevia na primavera (16.8), e, 
muito provavelmente, na primavera que precedeu o fim da permanncia de Paulo em feso. 1Cor poderia receber como data a primavera de 54 ou 55.
      
      SEGUNDA EPSTOLA AOS CORNTIOS
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Muitos acontecimentos se sucederam aps a 1 carta aos Corntios, os quais podemos relacionar desta maneira; o envio de Timteo a Corinto(1 Co 4.17;16.10) no 
parece ter alcanado pleno sucesso; pelo contrrio, Timteo trouxera ms notcias de Corinto. Mesmo 1Cor no despertou um respeito duradouro diante de Paulo. Por 
isso ele, talvez logo depois de 1Cor, saiu de feso para Corinto, a fim de a estabelecer ordem. No entanto, o que ocorreu foi que ele passou por uma grande decepo. 
A visita a comunidade , que ficou suspensa, trouxe-lhe imensa tristeza, principalmente uma injustia cometida contra ele por um corntio que a comunidade aceitou 
em seu seio. Ele no conseguiu dominar a situao, e acabou interrompendo sua visita com desgosto e tristeza, voltando para feso, embora com a promessa de que ainda 
retornaria a Corinto. Paulo , ento, procura Tito para desempenhar a tarefa de restabelecer a ordem em Corinto, enviando com ele a enrgica "carta escrita com lgrimas" 
(seria a terceira carta?). Com a presena de Tito restabeleceu-se a paz em Corinto: a comunidade como um todo se sujeitou-se  autoridade e arrependeu-se de sua 
atitude de insubordinao. Cheio de inquietao, Paulo partiu para encontrar-se com Tito no caminho, e encontrou-se com ele na Macednia. O bom resultado encheu 
Paulo de alegria e satisfao. Mais do que depressa, fez Tito voltar a Corinto a fim de, com sua grande iniciativa concluir a coleta antes que o prprio Paulo l 
chegasse, e , com ele, enviou tambm a que conhecemos hoje como a 2 Carta aos Corntios.
      A poca de redao de 2Co pode ser deduzida como sendo j em pleno outono do ano 55 ou 56. No se tem como afirmar que se passou um ano e meio entre a redao 
de 1Cor e a de 2Cor. Sem a menor dvida, 2Cor foi escrita na Macednia.
      
      EPSTOLA AOS GLATAS
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
       evidente que esta epstola tem como objetivo uma perturbao nas igrejas glatas, a qual foi introduzida nas igrejas por pessoas vindas de fora. Pessoas 
que "corrompem o evangelho" (1.7) e que "perturbam as igrejas" (5.10-12) se introduziram nas igrejas da galcia depois da ltima visita de Paulo. Eles so presumivelmente 
cristos que se pretendem induzir as igrejas a adotar a circunciso (5.2;6.12s) e que obviamente, exigem obedincia  lei. Paulo dirigiu-se, ento, aos intrusos 
com muita energia, repreende-os "por que proclamam um evangelho diferente, que na realidade nada tem de Evangelho'(1.6), censura-os por perseguirem objetivos falsos 
e insinceros(4.17;6.12) sem que eles prprios obedeam a lei(6.3).
      O tempo e o lugar  da redao de Gl no podem ser determinados com muita exatido. Uma data situada no fim da permanncia de Paulo em feso  to possvel 
quanto o  a suposio de Gl tenha sido escrita em Corntio antes da epstola de romanos (visto ter ambas uma terminologia e linguagem com pontos de contatos significativos), 
na poca mencionada em Atos 20.2, por que ento as diferenas reais entre Gl e Rm no poderia ser levadas em conta. Por conseguinte podemos apresentar como data 
para Gl cerca de 54 ou 55, e como lugar feso ou Macednia.
      
      EPSTOLA AOS ROMANOS
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      A ocasio favorvel para a redao de Rm e o objetivo desta proveio da situao e dos planos do apstolo. Paulo no conhece pessoalmente os cristos e Roma, 
mas procura, por meio da epstola, estabelecer contato com eles. Tendo em vista sua inteno de chegar at a Espanha, faz-se necessrio iniciar imediatamente suas 
relaes com a comunidade em Roma, pois precisa dos cristos romanos como auxiliares para a obra que tem em mente. E pelo fato de no os conhecerem e por estar procurando 
estabelecer laos com os cristos romanos em benefcio de sua obra missionria,  importante para Paulo apresentar seus pontos doutrinrios sobre a soteriologia 
, cristologia e escatologia a fim de que estes irmos conheam as verdades bsicas do cristianismo entendida e pregada por ele. 
      A epstola foi, muito provavelmente, escrita em Corinto, durante a ltima estada de trs meses de Paulo nesta cidade (15.25; At 20.2), mais ou menos na primavera 
de 55 ou 56, e antes da viagem a Jerusalm com a coleta, por isso no pode ter sido escrita antes de 1 aos Corntios.
      
      EPSTOLAS DA PRISO
      
      EPSTOLA AOS FILIPENSES
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Por ocasio da redao da epstola, a comunidade no oferece a Paulo nenhuma oportunidade para intervir com advertncias. Os trechos 1.3s;2.12;4.1 apresentam 
o retrato de uma comunidade que merece a total confiana do apstolo. Somente a enftica recordao de que a harmonia constituiu um dever (1.27-2.18) indica alguma 
falta especfica relativa ao comportamento moral dos membros da comunidade, que num caso isolado (4.2) descambaram, de maneira rude, para um conflito entre duas 
mulheres, Paulo ainda deseja advertir a comunidade sobre pessoas que caracteriza como "maus operrios" e como inimigos da cruz de Cristo" (3.2-18), que poderiam 
impressionar os filipenses. Ele, porm, no considera a comunidade gravemente ameaada.
      Paulo escreve enquanto prisioneiro (1.7,13,17), mas a epstola no revela nenhuma ansiedade ou angstia em face do desfecho do processo contra ele. Ficamos 
sabendo de dois lugares em que Paulo esteve preso; Cesaria e Roma. Como na priso de Roma Paulo foi tomado de uma ansiedade muito grande pelo desfecho de seu julgamento 
e nesta epstola no encontramos nenhum tipo de tristeza por parte de Paulo, mas ao contrrio , muita confiana por estar em condies de evangelizar um grande nmero 
pessoas, a hiptese de Cesaria seria a mais vivel. A poca mais provvel para a redao, se considerarmos a priso de Cesaria, 56-58.
      
      EPSTOLA AOS COLOSSENSES
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Os cristos de colossos estavam sendo ameaados pelo perigo dos falsos mestres. Embora esses ainda no tivessem obtido sucesso pleno (2.4,8,20), evidentemente 
j tinham causado forte impresso na comunidade. Por isso Paulo se mostra agradecido pela condio dos colossenses como cristos, e alegre por causa da disciplina 
existente em suas fileiras e da fidelidade que demonstram  f em Cristo (1.3s; 2.5). Paulo condena as exigncias cultuais dos falsos mestres, por que estes consideram 
como fatores de primordial importncia coisas que "so apenas sombras daquelas que ho de vir" , e , por conseguinte, irrelevantes do ponto de vista religioso (2.17).
      Paulo, nesta poca, encontra-se na priso (4.3,10,18) em feso, Cesaria ou Roma. Existe muitas evidncias internas que no corroboram uma possvel priso 
em feso ou Roma, principalmente em correlao com os eventos narrados em Atos que servem de fundamento histrico de suas estadas e tambm da citao de nomes de 
companheiros  que nas menes de Colossenses no sem encontram nem em feso, nem em Roma. Concluindo, podemos que h probabilidade maior de que Cl tenha sido escrita 
em Cesaria, embora Roma no possa ser totalmente excluda. A poca da redao situar-se-ia ou em 56-58 ou em 58-60.
      EPSTOLA A FILEMON
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Fm  uma epstola dirigida a uma pessoa individualmente, a Filemon, um cristo de bom nvel social, provavelmente desconhecido de Paulo pessoalmente (5; Cl 
1.4). O fugitivo Onsimo encontra-se com Paulo por motivos que ns desconhecemos. Talvez tivesse conhecido Paulo atravs de Filemon e , ao fugir, decidisse ir procur-lo. 
Ou, ento, acidentalmente, teria sido colocado na mesma priso que Paulo. Este o converteu (10) e estabeleceu estreito relacionamento pessoal com ele(12s,16s). O 
apstolo teria preferido conservar Onsimo consigo a servio do evangelho, mas, respeitando o direito legal que Filemon possua sobre o escravo, enviou este de volta 
ao seu dono. Dirige, ento, um pedido a Filemon em favor do fugitivo que, do contrrio, teria de sofrer um severo castigo.
      Alm de Onsimo bem como Filemon serem naturais de Colossos, muitos dos nomes relacionados em Cl aparecem novamente em Fl o que nos leva a crer que esta carta 
foi escrita no mesmo lugar e na mesma poca que Cl.
      
      EPSTOLA AOS EFSIOS
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      A epstola de Ef  uma carta apostolar aberta bem diferente das demais cartas do apstolo que possuem destinatrios e ocasies determinados. O cabealho da 
carta  comparvel a 2Cor e Cl. Paulo se apresenta como um autor de autoridade apostlica. A saudao contm os elementos tpicos de Paulo: "Graa e Paz". A carta 
toda tem um toque especial, mesmo que faltem ao autor dados exatos sobre a situao dos destinatrios (1.15; 3.1; 4.1 e outros). Isto corresponde as outras cartas 
de Paulo. Porm, sobressai o fato de que a carta no faz meno alguma  atividade do apstolo em feso. Nenhuma observao sobre a histria comum, nenhuma lembrana 
do que l ensinou, nem mesmo saudaes pessoais. Isto levou muitos intrpretes a levantar duas hipteses: uma, a de que esta epstola no foi escrita por Paulo, 
e a outra a de que esta epstola na verdade no foi endereada a feso propriamente mas a toda comunidade da sia cuja cidade  era a capital.
      Certo  que esta carta foi escrita na priso (3.1;4.1), e foi escrita logo depois de Cl. Cesaria ou Roma so locais provveis. Se admitirmos Cesaria, foi 
em torno de 55-57 ; se admitirmos Roma , foi em 58-60.
      
      EPSTOLAS PASTORAIS
      
      EPSTOLAS A TIMTEO
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Estas cartas so uma correspondncia pessoal do apstolo ao seu colaborador Timteo. Por outro lado contm orientaes para a vida eclesistica que Timteo 
deve seguir no seu ministrio. Estas epstolas so uma diretiva para Timteo sobre como deveria exercer sua misso durante a ausncia temporria de Paulo. Mas esta 
diretiva no se dirige primeiramente a Timteo, mas a igreja a qual preside a fim de que receba este jovem pastor como autoridade espiritual.  digno de destaque 
a preocupao de Paulo com as novas estruturas que estavam surgindo nas igrejas desta poca, pois, a organizao da igreja aumentara em complexidade. As funes 
haviam se tornado fixas e eram procuradas por alguns por concederem uma eminncia desejvel, de forma que o prestgio de uma determinada funo mais do que a sua 
utilidade se tornou o objetivo principal. Bispos , diconos, e ancios, so todos mencionados, se bem que, provavelmente, o primeiro e o terceiro sejam idnticos. 
A medida que iam surgindo a segunda e a terceira gerao de crentes, a teologia da igreja era cada vez mais passivamente aceita, perdendo gradualmente vitalidade. 
Em torno de pormenores controversos tratavam-se de discusses e debates, a heresia tornava-se um perigo cada vez mais iminente.
      EPSTOLA A TITO
      
      POCA E OCASIO DA EPSTOLA
      Tanto 1Tm quanto Tito foram escritas para aconselhar um substituto a braos com problemas emergentes de um pastorado difcil. Tito, o destinatrio, desta epstola, 
tinha sido conhecido e companheiro de Paulo por 15 ou mais anos. Era um converso gentio dos primeiros dias em Antioquia. A igreja em que Tito se encontra est em 
Creta e sua situao  desanimadora. A igreja estava desorganizada e os seus membros tinham um comportamento absolutamente descuidado. As perturbaes em Creta tinham 
sido causadas pelo relaxamento moral resultante das tendncias naturais dos cretenses (1.12,13) acentuando-se por disputas de fbulas e mandamentos judaicos encorajados 
por um grupo judaizante (1.10).Esses ensinadores diferenciavam-se pelos que haviam perturbado os glatas por ser o seu erro a perversidade moral, enquanto que aos 
glatas eram o legalismo severo. Ambas as coisas so condenadas nesta epstola. Paulo enfatiza nesta epstola a questo da santidade de vida e a importncia de se 
conservar a s doutrina, o que se deduz o fato de se reconhecer naquela poca a existncia de uma doutrina padro pela qual se deveria aferir a vida e o ensino.
      Podemos datar as trs epstolas pastorais no perodo de 60-61 logo aps o apstolo Paulo ter sido solto de sua primeira priso, aps as cartas da priso, ao 
que se atribui uma sensvel diferena de seu estilo literrio e vocabulrio.  
      
      EPSTOLAS GERAIS
      
      EPSTOLA AOS HEBREUS
      
      AUTOR E OCASIO DA EPSTOLA
      
      O autor de Hebreus conserva sua identidade completamente na obscuridade, somente a estreita conexo com Timteo (13.23) indica algum contato com o crculo 
Paulino, e isto se se trata do companheiro bem conhecido de Paulo. Muitos nomes tem surgido como provveis autores, j que a maioria dos intrpretes j descartaram 
a autoria paulina, Lucas, Apolo, Barnab, Priscila. Todos estes no passam de meras conjunturas sem ao menos possuir uma evidncia interna do texto.
       pergunta bvia que procura saber se Jerusalm permanece intacta (13.13s) e se o culto no templo se processa normalmente (9.9s), Hb no d resposta alguma. 
As perseguies que a comunidade enfrentou (10.32-34) e a proximidade espiritual de Lc-At demonstram com grande probabilidade tratar-se de um perodo ps-Paulino. 
Hb contudo, foi escrita antes de 96; Timteo que na juventude havia sido auxiliar de Paulo, ainda est vivo (13.23), escritor e leitores pertencem a segunda gerao 
de cristos(2.3), o novo sofrimento que ameaa os leitores(12.4)pode referir-se a poca de Domiciano(81-96). Segundo esses dados, a epstola foi escrita provavelmente 
entre 80-90. 
      Quanto ao lugar que o livro foi escrito, no podemos determin-lo exatamente, embora haja uma boa variedade de conjecturas: Roma, Egito, feso, Antioquia.
      
      EPSTOLA DE TIAGO
      
      AUTOR E OCASIO DA EPSTOLA
      Quem  este Tiago que se apresenta simplesmente como "Servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo" ? No NT encontramos cinco homens que receberam este nome: Tiago, 
Filho de Zebedeu (Mc 1.19); Tiago, filho de Alfeu (Mc 3.18); Tiago, irmo de Jesus (Mc 6.3); Tiago, o menor (Mc 15.40); Tiago, pai do apstolo Judas (Lc 6.16). O 
autor da epstola de Tiago no pode ser uma pessoa desconhecida, pois alega autoridade para sua palavra. A respeito dos que traziam o nome de Tiago no NT, nada sabemos 
do segundo, quarto e quinto nomes. Assim sendo, eles no podem ser tomados em considerao. O nmero 1 tambm est excludo pois foi morto em 44, numa poca antes 
da escrita da epstola. Na igreja primitiva figurava apenas um Tiago conhecido aponto de figurar como autoridade religiosa na igreja de Jerusalm, este era o irmo 
de Jesus que certamente se converteu logo aps os acontecimentos da morte e ressurreio de Jesus. Este Tiago to famoso tem certamente o peso de sua pessoa como 
autoridade capaz de dar fora ao contedo da epstola.
      A idia de que a epstola tenha sido escrita na Sria tem um ponto a favor: o fato de que a prova mais antiga da existncia de Tg no sc. III foi encontradas 
nas obras que provinha da Sria.
      A data do texto de Tg no pode ser determinada exatamente, o mximo que podemos faz-la  situ-la mais ou menos em fins do sculo I. Entretanto, diante da 
distancia conceptual de Paulo, Tg dificilmente poder ser localizada numa data antiga.
      
      1 EPSTOLA DE PEDRO 
      
      AUTOR E OCASIO DA EPSTOLA
      No ttulo, o autor chama a si mesmo de "Pedro, apstolo de Jesus Cristo"; tambm d provas de sua identidade atravs das afirmaes: "testemunha dos sofrimentos" 
e "participante da glria que h de ser revelada".(5.1).
      Se por Babilnia (5.13) entendermos Roma, ento 1 Pedro bem pode ter sido escrita em Roma, onde presumivelmente Pedro morreu, e onde desde muito cedo se apelou 
para sua autoridade.
      A meno da perseguio contra os cristos (4.16) no representa fundamento suficiente para se avanar at o princpio do sc.II ou mesmo at a perseguio 
movida por Domiciano. O perodo entre os anos de 60 e 65 , por conseguinte, a poca mais provvel da redao, visto que a tradio alega ter sido Pedro morte por 
Nero em 64.
      
      2 EPSTOLA DE PEDRO
      
      AUTOR E OCASIO DA EPSTOLA
      H muita controvrsia sobre esta carta, principalmente por causa de sua proximidade literria com a epstola de Judas. Mas tem-se como tradio que esta epstola 
foi escrita aos cristos-judeus da sia Menor nos anos de 61/62. A . T. Robinson explica sua semelhana com a epstola de Judas com a hiptese de que Judas tenha 
sido secretrio de Pedro. Isto tambm explicaria a separao literria entre a 1 e a 2 epstolas.  verdade que h uma relao entre Judas e 2 Pedro e que no pode 
ser ignorada, mas no se pode afirmar dependncia. Esta 2 epstola  bem enftica ao advertir os cristos do perigo das heresias, que so bem parecidas com as que 
encontramos em Colossenses.
      
      EPSTOLA DE JUDAS 
      
      AUTOR E OCASIO DA EPSTOLA
      O autor chama a si mesmo de Judas, servo de Jesus Cristo e irmo de Tiago. Dentro os vrios portadores do Nome Judas no NT, no h dvida da identidade deste, 
pois est claramente designado como "o irmo de Tiago" . o autor era certamente um cristo judeu profundo conhecedor dos apocalipses judaicos, tais como ascenso 
de Moiss(9), Apocalipse de Henoc(14) e as lendas judaicas(9-11).
      Uma vez que Judas pertence a um perodo posterior do cristianismo, no contamos com nenhuma evidncia que nos ajude a determinar a data de sua origem, nem 
to pouco seu lugar de escrita. Se a epstola de Pedro tinha acabado de circular, a de Judas pode ser datada aproximadamente em 67-68. Ou se o apelo de Judas  memria 
do povo (17) significa que o texto de 2 Pedro circulava j havia tempo , podemos dat-la em 80.
      1 EPSTOLA DE JOO
      
      AUTOR E OCASIO DA EPSTOLA
      A tradio atesta a autenticidade da autoria das trs epstolas consecutivas a Joo o apstolo, filho de Zebedeu e irmo de Tiago. Mas modernamente ainda se 
duvidam se este Joo  mesmo do tempo apostlico visto ele apresentar-se como ancio e no como os demais como Pedro e Paulo. Surgiu na igreja do II sculo vestgios 
de um Joo chamado, ancio que viveu at meados do I sc. ao qual se atribua a autoria desta epstola, mas nada se comprovou at ento. O erro especfico que Joo 
procura combater parece ser uma forma precoce de gnosticismo, um inimigo cruel da igreja que floresceu em finais do I sculo avanando no II provocando grande confuso 
entre os cristos . I Joo se prope a defender a f desta falsa religio , que figurava mais como filosofia, a fim de manter os membros das igrejas atentos para 
os pontos fundamentais da f crist que eles negavam. Se considerarmos que I Jo e Jo so do mesmo autor, a primeira epstola no deve ter sido escrita muito depois 
do evangelho. Como I Jo j era conhecida no segundo quarto do sc.II, a epstola no pode ter sido escrita no mais do que entre os anos de 90-110.  A propsito 
do lugar nada sabemos. Se Jo veio da Sria, poderamos aplicar a mesma conjuntura para esta epstola.
      
      SEGUNDA E TERCEIRA EPSTOLA DE JOO
      
      2 e 3 Joo foram escritas pelo mesmo autor. Elas usam a mesma linguagem, equivalem-se em extenso e em sua forma epistolar. No cabealho trazem a mesma autodesignao 
distintiva do autor: o presbtero. Estas epstolas apresentam uma frente slida contra a mar de heresias e erros que rondavam a igreja primitiva. Todavia, no so 
unicamente de carter polmico, antes construtivas na sua apresentao e ensino do evangelho. A maturidade de pensamento e a santidade de vida so seus objetivos, 
no mera discusso em torno de um pormenor de tradio. Foram, escritas no apenas para dar vitria em um debate, mas para ajudar a desenvolver no crente a defesa 
contra os ataques do maligno. Como a tradio das epstolas no nos permite deduzir nada a propsito da poca de origem, a nica coisa que podemos propor  que elas 
foram escritas mais ou menos na mesma poca da primeira epstola, isto  entre os anos 90 e 110 aproximadamente.
      
      O LIVRO DO APOCALIPSE
      
      AUTOR E OCASIO DA ESCRITA
      Por fazer parte da literatura apocalptica, o apocalipse tem o objetivo de interpretar a histria do mundo at o seu final. Essa histria vai trazer grande 
opresso para o povo de Deus e muitas guerras e catstrofes ecolgicas para a humanidade. Mas no final esta a vitria de Deus, a implantao do seu domnio sobre 
esta terra e a criao de um novo cu e uma nova terra. O apocalipse  uma profecia que usa linguagem simblica e mitolgica, faz diviso do mundo em reinos (vide 
Daniel),  nutrida por sonhos e vises, assim como faz uso de nmeros e personagens como smbolo de pocas e tempos. Este tipo de literatura nasceu no perodo dos 
Macabeus quando Etoco Epifnio IV realiza um governo de opresso sobre Israel trazendo assolao e abominao para o templo, nasce ,ento, uma literatura cheia 
de terror e ao mesmo tempo em que visa dar esperana futura ao povo sofredor.
      A data mais provvel para a produo do livro  no perodo de Domiciano, provavelmente 96, quando a perseguio aos cristos se arrefeceu, e inclusive o prprio 
apstolo, a quem a tradio credita sua autoria, foi vtima desta perseguio sendo desterrado para a Ilha de Patmos de onde sabemos a revelao do livro foi feita. 
Este foi um dos perodos mais tenebrosos para a igreja primitiva. E Como este tipo de literatura s floresce em perodos de grande tribulao atuando como fonte 
de consolo visando uma vitria escatolgica, este perodo  uma boa evidncia.

. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
1-  KMMEL, Georg Verner. Introduo ao Novo testamento. Paulus. So Paulo.
2-  BROADUS, David Hale. Introduo ao Estudo do Novo Testamento. Juerp. Rio de Janeiro.
3-  GUNDRY. Robert. Panorama do Novo Testamento. Vida Nova. So Paulo.
4-  CULLMANN, Oscar. Formao do Novo Testamento. Sinodal. So Leopoldo.
5-  TENNEY, Merrill C. O Novo Testamento. Sua Origem e Anlise. Vida Nova. So Paulo.
6-  BRUCE. F .F . Merece Confiana o Novo Testamento. Vida Nova . So Paulo.
7-  HRSTER, Gerhard. Introduo e Sntese do Novo Testamento. Esperana. Curitiba.
CARSON, D . A e outros. Introduo ao Novo Testamento. Vida Nova. So Paulo.



QUESTES PROPOSTAS DA FORMAO DO NOVO TESTAMENTO

1-  Comente o significado e contedo do NT.
2-  Fale das caractersticas literrias de um Evangelho.
3-  Fale das caractersticas literrias de uma Epstola.
4-  Fale, resumidamente, do estado judaico no perodo desde o exlio at os dias de Jesus.
5-  Discorra sobre a sociedade judaica nos dias de Jesus.
6-  Discorre sobre todas as seitas que existiam nos dias de Jesus, destacando: sua origem, significado do nome, como influenciava a sociedade e em que criam religiosamente.
7-  Descreva as caractersticas do judasmo nos dias de Jesus.
8-  Faa um quadro sobre as festas judaicas, destacando: seus dias de comemorao e que evento relembravam.
9-  Descreva, em, poucas palavras, o processo de formao do Cnon do NT.
10-  Fale do primeiro cnon a ser formado, quem foi seu autor e quais eram suas caractersticas.
11-  Defina Cnon e d seu significado na literatura.
12-  Defina as literaturas do NT chamadas: homolegoumenas e antilegoumenas.
13-  Fale das teorias de formao dos evangelhos sinpticos.
14-  Discorra a respeito do problema dos sinpticos.
15-  Fale da teoria da fonte Q(Quilo).
16-  Discorra sobre os quatro evangelhos, destacando: evidncias de sua autoria, data de composio e teologia.
17-  Discorra sobre a teoria no marcada dos versculos de 9-20 do captulo 16 de Marcos.
18-  Fale da relao existente entrem Lucas - Atos.
19-  Discorra sobre as 13 epstolas paulinas, destacando: ocasio, data e lugar de escrita.
20-  Fale da teoria no paulina da autoria de II Tessalonicenses.
21-   Explique a teoria da autoria no paulina do ltimo captulo de Romanos.
22-  Fale da teoria da carta aos Efsios como carta geral ou como a carta perdida aos Laodicenses.
23-   Explique o porqu da autoria no paulina de Colossenses.
24-  Explique as seguintes teorias da carta aos Glatas: Galcia Provncia e Galcia Regio.
25-  Explique a teoria no paulina para as epstolas pastorais.
26-  Discorra sobre as Epstolas Gerais, destacando: autor, local de composio, destinatrios, ocasio e tema central.
27-  Fale das teorias dos possveis autores para a carta aos Hebreus e d as evidncias.
28-  Explique a teoria no petrina para autoria da II Epstola de Pedro.
29-  Fale da aparente discordncia da Epstola de Tiago e da Epstola aos Romanos.
30-  Explique a relao que existe entre II Pedro e Judas.
31-  Faa um resumo do livro de Apocalipse destacando as caractersticas do livro como literatura apocalptica, bem como seu autor e ocasio da escrita.
32-  Explique a teoria da autoria no paulina do ltimo captulo de Romanos.
33-  Fale da teoria da carta aos Efsios como carta geral ou como a carta perdida aos Laodicenses.
34-   Explique o porqu da autoria no paulina de Colossenses.
35-  Explique as seguintes teorias da carta aos Glatas: Galcia Provncia e Galcia Regio.
36-  Explique a teoria no paulina para as epstolas pastorais.
37-  Discorra sobre as Epstolas Gerais, destacando: autor, local de composio, destinatrios, ocasio e tema central.
38-  Fale das teorias dos possveis autores para a carta aos Hebreus e d as evidncias.
39-  Explique a teoria no petrina para autoria da II Epstola de Pedro.
40-  Fale da aparente discordncia da Epstola de Tiago e da Epstola aos Romanos.
41-  Explique a relao que existe entre II Pedro e Judas.
42-  Faa um resumo do livro de Apocalipse destacando as caractersticas do livro como literatura apocalptica, bem como seu autor e ocasio da escrita.
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